domingo, 11 de setembro de 2011

RELATÓRIO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO



Precisamos contribuir para criar a escola que é aventura, que marcha, que não tem medo do risco, por isso que recusa o imobilismo. A escola em que se pensa, em que se atua, em que se cria, em que se fala, em que se ama, se adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida.

Paulo Freire


            A necessidade de realizar o estágio advém do fato de que este contém todas as informações apreendidas na teoria e na prática da formação docente ao longo das atividades de estágio supervisionado, as quais permitem ao aluno-mestre enfrentar situações significativas de ensino e aprendizagem, contribuindo para refletir e compreender a importância da educação no cotidiano escolar.
O Estágio realizou-se no Colégio Estadual Professor Sérgio Fayad Generoso, localizado no Município de Formosa Goiás, nas turmas do Ensino Médio, regidos pela Professora Rosimeire.
A proposta do projeto apresentado a instituição e desenvolvido justificou-se pela necessidade de transformar realidades e construir novas perspectivas sócioculturais no atual contexto social, histórico, político e econômico da comunidade local, partindo do fazer/apreciar a arte em suas diversas formas de expressão.
            Trata-se de um privilégio trabalhar com os alunos da rede pública, proporcionar-lhes o contato com a pedagogia do teatro, onde o mesmo possa reconhecer os valores necessários para a vida a partir de situações do cotidiano, e nelas identificar a sua relação com o fazer teatral.
A proposta desenvolveu-se em apresenta todo o contexto histórico do teatro e também o Teatro do Oprimido, na prática utilizou-se jogos teatrais para atores e não atores, com base nos fundamentos do Teatro Fórum, abrindo mão da discussão sobre o respeito ao Gênero. Realizou-se toda uma abordagem da teoria, a trajetória de Augusto Boal  no teatro brasileiro a partir da década de 70.
A proposta de re-significar o ensino do teatro articulou-se, portanto, ao intuito de capacitar os alunos a humanizarem-se melhor como cidadãos inteligentes, sensíveis, estéticos, refletivos, criativos, conscientes e atuantes no meio social em que vivem promovendo a construção da igualdade em respeito à diversidade partindo dos pressupostos do Teatro do Oprimido, Teatro Fórum.
Nesse sentido,  os PCN’s (1998, p. 13):
Considerar a diversidade que se verifica entre os educandos nas instituições escolares requer medidas de flexibilização e dinamização do currículo para atender, efetivamente, às necessidades educacionais especiais dos que apresentam deficiência(s), altas habilidades (superdotação), condutas típicas de síndromes ou condições outras que venham a diferenciar a demanda de determinados alunos com relação aos demais colegas.
O papel fundamental da educação no desenvolvimento das pessoas e das sociedades amplia-se ainda mais no despertar do novo milênio e aponta para a necessidade de se construir uma escola voltada para a formação de cidadãos[i].


Seguindo essa linha de pensamento, as atividades propostas em cada  da aula é buscar e construir o conhecimento por meio de concepções que fundamentem a história e origem do teatro a partir de reflexões e pesquisas realizadas para construção do conhecimento de forma coletiva e individual diante tanto do saber, conhecer, fazer e apareciar essa arte milenar; e o Teatro do Oprimido, fundamentos e perspectivas.

O que foi possível:
¡  Foi possível compreender a importância da dinâmica do trabalho acadêmico diante do diferencial da proposta educacional, social, política do teatro em sua totalidade, e diante do solo fértil de possibilidades de transformar realidades por meio do Teatro do Oprimido na construção do respeito a diversidade e na concepção do que nos une na igualdade.

Pontos positivos:
¡  Boa interação com as turmas e comunidade escolar;
¡  Interesse dos alunos na aula e participação ativa;
¡  Colaboração da equipe da escola;
¡  Possibilidades de continuidade do trabalho, como vínculo voluntário.

Pontos negativos:
¡  Fechamento de semestre na Unidade Escolar;
¡  Disponibilidade para Estágio mesmo que assegurado por Lei;
¡  E, foram cumpridas apenas 32 propostas, mas apenas para cumprir o estágio, pouco tempo para realizar e fechar um trabalho formador e multiplicador de cidadania.

As aulas ministradas foram abordadas de forma dinâmica com uso de slides que apresentaram a história do teatro e seus fundamentos, o teatro no Brasil, a proposta do Teatro do Oprimido e as concepções de Augusto Boal, sua história e luta. Foram assistidos filmes que contextualizaram os momentos históricos como a Ditadura Militar, e a importância e papel do teatro nesse momento.  As aulas práticas do Teatro do Oprimido, que de acordo com a perspectiva do projeto se fundamentam no Teatro Fórum para discussão e abordagem da Diversidade e seus dilemas sociais como apresenta nos vídeos e fotos em anexo.
A proposta de desenvolver a compreensão da diversidade por meio do Teatro do Oprimido, foi espetacular uma vez que sua proposta vislumbra buscar desenvolver nos “que praticam, a sua capacidade de perceber o mundo através de todas as artes e não apenas do teatro, centralizando esse processo na Palavra, no Som e na Imagem” (Boal, 2008, p. 15[ii]). Essa alfabetização estética por meio da sensibilização das artes possibilita o criar e recriar de realidades e nos tornar multiplicadores de concepções mais humanas de nós mesmos.
Não se trata de um ensino exaustivo de assuntos pedagógicos, mas da reflexão sucinta que realiza no decorrer das aulas de Estágio Supervisionado, acrescentando-se as experiências como educadora e acadêmica.
A realização do estágio supervisionado foi uma conseqüência natural da necessidade de tornar a formação profissional docente mais eficiente, mais dinâmica, adequada aos novos tempos.
Por se tratar de um importante procedimento didático o estágio supervisionado encontra-se amparado por legislação específica. A Lei nº 6.494 considera estágio “as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionados ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio”. Atualmente a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96 versa sobre as condições que os sistemas de ensino estabelecem a realização do estágio e entende que esse procedimento tem por finalidade colocar o estagiário em contato direto com uma atividade real da sociedade, para a aquisição de uma experiência autêntica e ao mesmo tempo para comprovar conhecimentos e aptidões para o exercício de uma profissão.
Para tanto, o estágio supervisionado tem por função fazer com que o estagiário se torne capaz de desenvolver o senso de responsabilidade, capacidade de iniciativa e decisão, no exercício docente; analisar a importância da participação ativa dos alunos nas atividades escolares; aplicar os conhecimentos adquiridos, na seleção, utilização e adequação de estratégias e recursos de ensino às diferentes situações e condições da escola; analisar a importância de uma avaliação criteriosa no processo de ensino-aprendizagem e desenvolver o sendo crítico, estimulando a criatividade no campo profissional.
Por tudo isso, com a realização do estágio no Médio pretende-se compreender como se deve realizar o processo de ensinar e aprender Artes, aproveitando-se ao máximo das experiências de observação, regência, participação e intervenção para enriquecer nossa formação docente, colocando em prática as teorias apreendidas ao longo do curso e, deste modo, conciliarmos a realidade da sala de aula com o papel construtor de formação de cidadãos.
Em virtude disso, o presente relatório reúne informações sobre os pressupostos teóricos que embasam a formação pedagógica do professor bem como apresenta registros relacionados à prática educativa concreta, caracterizando as atividades realizada durante o Estágio Supervisionado.






















[i] BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Adaptações Curriculares. Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998.

[ii] BOAL, Augusto. Jogos para atores e não-atores. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

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